Ana Karina Santos da Costa, conhecida artisticamente como Girinha, é uma das figuras mais emblemáticas do rap angolano. Natural da Maianga, em Luanda, cresceu em um ambiente musical como a caçula de uma família talentosa. Seu irmão Nasty foi vocalista do grupo Mess, enquanto Xito Boy, DJ e produtor, colaborou com grandes nomes como Kalibrados, Killa Hill e Anselmo Ralph.
Desde cedo, Girinha demonstrou determinação e paixão pela música. Inspirada pelos Army Squad e pela energia transformadora de Dona Kelly, encontrou sua voz no início dos anos 2000, em um cenário predominantemente masculino. Aos 16 anos, mergulhou no universo do hip hop e, como ela mesma descreve, "apaixonou-se e faz amor com ele diariamente".
Em 2005, lançou o EP "Ressurreição", consolidando seu espaço no rap nacional. Apesar de estar afastada dos palcos nos últimos anos, devido à dedicação aos estudos em São Paulo, Brasil, Girinha permanece uma referência. Ela rejeita categorizações como "rap feminino", reforçando que "rap é rap", sem divisões baseadas em gênero.
Ao longo de sua trajetória, Girinha também se destacou como uma ativista. Durante os anos que viveu fora de Angola, iniciou um processo de redescoberta pessoal e cultural, abraçando sua negritude ao rejeitar padrões coloniais impostos, como o uso de cabelos alisados. "Meu cabelo é um manifesto daquilo que realmente sou", afirma a artista, demonstrando seu compromisso com a valorização de suas raízes.
Mais do que uma rapper, Girinha é hoje um ícone de força, autenticidade e resistência. Sua história inspira jovens a desafiarem limites e abraçarem suas identidades em um mundo ainda marcado por desigualdades sociais. Sua influência transcende a música, consolidando-se como exemplo na luta por igualdade racial, direitos das mulheres e valorização cultural em Angola.