Odete Cassilva, conhecida artisticamente como Kasilva ou Kassilva, é uma artista angolana cuja trajetória combina percussão, criação cultural e liderança em projectos ligados às Indústrias Culturais e Criativas. Natural de Samba Grande, Luanda, construiu uma carreira multifacetada que atravessa a produção cultural, a performance musical e o desenvolvimento de iniciativas comunitárias.
Formou‑se em Psicologia do Trabalho e das Organizações pela Universidade Óscar Ribas, área que complementa a sua actuação profissional como Directora de Eventos no Palácio de Ferro – Património Cultural, onde coordena actividades culturais e projectos de impacto social.
Kasilva afirma que não escolheu a percussão, mas que foi a percussão que a escolheu, revelando uma relação profunda com o batuque e com a identidade cultural angolana. Ao longo dos anos, tornou‑se percussionista, cantora e compositora, destacando‑se pela capacidade de transitar entre universos artísticos e administrativos sem perder a ligação às raízes rítmicas que marcam o seu percurso.
É membro fundadora da banda Ukãi, um colectivo composto exclusivamente por mulheres, que tem contribuído para ampliar a presença feminina na música contemporânea angolana. Com o grupo, participou em diversos palcos e actividades culturais, reforçando a importância da representatividade e da criação artística no feminino.
A artista tem aprofundado o estudo dos tambores angolanos, reconhecendo que fazem parte de uma verdadeira “família” instrumental, composta por elementos como o Ngõma, o Nkudi, o Tati e o Nzaji. Embora admita não dominar todos os termos históricos, valoriza o conhecimento adquirido em workshops e oficinas, especialmente com mestres como Patrício Ngangula Tchichi.
Para Kasilva, os ritmos tradicionais carregam significados sociais e espirituais, distinguindo‑se entre aqueles tocados por mulheres, por homens ou por toda a comunidade, dependendo dos rituais e celebrações.
Na sua visão, a percussão desempenha um papel essencial na resistência e afirmação cultural angolana. O batuque e o Ngõma, afirma, acompanham a história do país e mantêm‑se vivos tanto na diáspora como nas comunidades locais.
Para ela, estes ritmos ajudaram a preservar a identidade cultural em períodos de restrição e contribuíram para a transmissão de saberes entre gerações, especialmente em momentos festivos, como o carnaval e celebrações comunitárias. Kasilva destaca ainda que, ao contrário do que muitos pensam, na tradição angolana é a dança que comanda o ritmo, orientando o percussionista a cada mudança de passo.
Com uma carreira construída entre palcos, oficinas, projectos culturais e espaços institucionais, Odete Cassilva afirma‑se como uma figura que une tradição e contemporaneidade.
A sua actuação reforça a importância da percussão como elemento identitário e educativo, ao mesmo tempo que inspira novas gerações de artistas, especialmente mulheres, a ocuparem o seu espaço na cultura angolana.