Manuel Alfredo Brandão, artisticamente conhecido como Brandão Hamalata, nasceu a 2 de fevereiro de 1963, no bairro Missão Católica, município da Quibala, província do Cuanza Sul, Angola. A sua entrada no mundo da música foi marcada pela canção "Kutonoka", e sua carreira começou no conjunto 1º de Agosto, em 1980, onde atuou como vocalista ao lado do célebre Jacinto Tchipa. Antes disso, serviu como militar da FAPLA. A ascensão ao estrelato deu-se em 1987 ao vencer o concurso musical “Variante 87”, impulsionado por Dionísio Rocha, recebendo o título de cantor revelação.
Artista de profunda ligação às raízes culturais angolanas, Hamalata tornou-se reconhecido por sua voz trêmula e emotiva, cantando no dialeto ngoia em estilos musicais tradicionais como kissaca e kimbwelela, típicos do Cuanza Sul. Sua presença em palco é marcada por uma estética genuinamente angolana: atua descalço ou de sandálias, com pano amarrado à cintura, pele de animal aos ombros, missangas e cabaça, criando uma imagem autêntica e identitária.
Participou em diversos eventos de relevo, como o festival África Vision em Harare com o agrupamento Semba Tropical, além de integrar o espetáculo dos Trovadores em Cabinda. Em 1989, representou a província do Cuanza Sul na FENACULT, reforçando sua presença no cenário cultural nacional.
Em busca de melhores condições de vida e oportunidades artísticas, emigrou para o Reino Unido em 1996, onde fundou a banda “Gira Jaive”, com músicos angolanos, moçambicanos e nigerianos, atuando em palcos europeus durante duas décadas. De regresso a Angola, expressou o desejo de aplicar os conhecimentos adquiridos e contribuir para o desenvolvimento da música nacional, que acredita estar ganhando crescente expressão internacional.
Em 2012, lançou o álbum “Wakuka”, palavra umbundu que significa “está velho”, pela LS Produções. O disco contém oito faixas — “Wamana”, “Mugimbeira”, “Nga José”, “Wakuka”, “Mulata”, “Sessa”, “Yongo” e “África” — e foi gravado em Portugal com a participação de músicos como Nanuto (saxofone), Muele Puto (viola solo), Furtado (bateria) e Chiemba (baixo). O lançamento incluiu sessões de vendas e autógrafos em Luanda, no mercado do Catintom e no município de Calulo, demonstrando o seu compromisso em valorizar suas origens.
Para Brandão Hamalata, a música é um dom divino e a sua jornada artística foi construída sem apoio externo. Ele defende que, nos anos 80, era mais fácil compor, pois os músicos viviam intensamente o contexto da guerra e da esperança pela paz. Exalta nomes como Teta Lando, Elias dya Kimuezo, Lourdes Van-Dúnem, Pedrito, Robertinho e Jacinto Tchipa, que considera ícones da cultura angolana. Crítico do circuito fechado da música atual, Hamalata reafirma a importância da união entre artistas e da valorização da velha geração para o fortalecimento da identidade musical do país.