O conflito entre o Irã e os Estados Unidos continua a intensificar-se, com novos ataques militares e declarações que indicam um agravamento da situação na região do Golfo.
Nesta sexta-feira (17), Mohsen Rezai, assessor militar da liderança iraniana e antigo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que o Irã passará para uma "fase ofensiva total" caso os ataques norte-americanos prossigam por mais alguns dias. Segundo Rezai, o país deixará de limitar a sua resposta a ações de retaliação e poderá atingir alvos para além das atuais zonas de confronto.
O responsável acrescentou que Teerã não aceitará qualquer intervenção dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás, considerando a região uma infraestrutura estratégica para a segurança energética global.
Nos últimos dias, ambos os países intensificaram as operações militares. Os Estados Unidos realizaram novos bombardeamentos contra infraestruturas militares iranianas, incluindo instalações logísticas e acessos a portos no sul do país. Em resposta, o Irã lançou ataques contra aliados norte-americanos na região, incluindo Kuwait, Qatar e Bahrein.
No Kuwait, autoridades relataram danos numa central de dessalinização e a suspensão temporária das operações do aeroporto internacional devido à ameaça de mísseis e drones. As centrais de dessalinização são essenciais para o abastecimento de água no país.
O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que as operações militares continuarão até reduzir significativamente as capacidades militares do Irã e voltou a defender que Teerã aceite negociar. O governo iraniano, por sua vez, afirma que as suas ações constituem uma resposta às operações militares dos Estados Unidos e acusa Washington de violar entendimentos anteriormente estabelecidos.
A crescente instabilidade também começa a refletir-se nos mercados internacionais. A redução do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, juntamente com ataques a navios petroleiros registados nos últimos dias, contribuiu para a subida do preço do petróleo Brent, reforçando as preocupações sobre possíveis impactos no fornecimento global de energia.
Apesar da superioridade militar dos Estados Unidos, analistas internacionais consideram que o Irã continua a manter capacidade suficiente para realizar ataques com mísseis e drones, o que poderá prolongar o conflito caso não haja avanços diplomáticos. A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação, devido ao risco de uma escalada militar com consequências para toda a região do Médio Oriente e para a economia mundial.