O Egito está a preparar-se para reforçar o apoio à Arábia Saudita, numa altura em que os ataques dos rebeldes houthis do Iémen aumentam a tensão na região. O Presidente Abdel Fattah el-Sisi solicitou ao Parlamento egípcio autorização para prestar assistência militar defensiva ao reino saudita, caso seja necessário.
No domingo, 18 de outubro, as autoridades egípcias reafirmaram o compromisso de disponibilizar todo o apoio considerado necessário e possível para proteger a segurança, a estabilidade e a integridade territorial da Arábia Saudita.
A posição do Cairo surge depois de novos ataques atribuídos aos houthis, que têm visado áreas do território saudita, incluindo Riade, aeroportos e instalações petrolíferas. As ameaças também levantam preocupações sobre a segurança do transporte marítimo numa das regiões mais importantes para o comércio internacional.
Combates intensificam-se perto do estreito de Bab al-Mandeb
No Iémen, forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita anunciaram ter recuperado posições estratégicas nas proximidades do estreito de Bab al-Mandeb, uma passagem marítima fundamental entre o Mar Vermelho e o golfo de Áden.
Segundo um porta-voz militar iemenita, as forças governamentais recuperaram também o controlo de uma estrada importante entre o distrito de Dhubab e a cidade portuária de Mocha.
No entanto, os houthis rejeitaram estas informações, classificando os avanços anunciados como falsos. Até ao momento, os relatos sobre os ganhos territoriais não foram verificados de forma independente pela CNN.
A importância desta região vai além do conflito local. O estreito de Bab al-Mandeb é uma passagem estratégica para o comércio mundial, e qualquer perturbação na navegação pode afetar os transportes, o fornecimento de energia e os preços internacionais.
Por que razão o Egito quer ajudar Riade?
A decisão egípcia está ligada a interesses estratégicos e económicos. O Egito considera a segurança saudita essencial para a estabilidade regional e mantém relações importantes com o reino, que é também uma fonte significativa de remessas enviadas por cidadãos egípcios que trabalham no estrangeiro.
Outro fator decisivo é o Canal de Suez. Os ataques dos houthis contra navios no Mar Vermelho têm prejudicado o tráfego marítimo e provocado perdas económicas para o Egito. De acordo com declarações do ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros citadas no artigo original, as perdas terão atingido cerca de 11 mil milhões de dólares desde o início dos ataques, em 2023.
Por isso, a proteção das rotas marítimas representa não apenas uma questão de segurança, mas também uma preocupação direta com a economia egípcia.
Que tipo de apoio militar poderá o Egito oferecer?
Embora o Presidente el-Sisi tenha prometido tomar medidas para proteger a Arábia Saudita, a assistência deverá manter-se, segundo analistas citados pela Al Jazeera, num âmbito estritamente defensivo.
Esse apoio poderá envolver medidas de proteção e cooperação militar destinadas a reforçar a segurança saudita. Contudo, os detalhes concretos da eventual intervenção dependem das decisões políticas do Egito e de um possível pedido formal de Riade.
O Cairo procura também evitar a imagem de um aliado que permanece à margem enquanto outros países apoiam a defesa do reino. A Turquia e o Paquistão anunciaram igualmente medidas de cooperação no quadro de um acordo de defesa conjunta com a Arábia Saudita.
Ainda assim, o eventual envolvimento egípcio não significa necessariamente uma participação direta em operações ofensivas no Iémen.
Civis enfrentam consequências cada vez mais graves
Enquanto os governos avaliam as opções militares, a população iemenita continua a suportar o peso da guerra. A intensificação dos combates já provocou novas deslocações de famílias e agravou a insegurança alimentar em várias regiões.
Segundo o Programa Alimentar Mundial, o aumento da violência tem deixado muitas famílias sem acesso suficiente a alimentos. As autoridades de saúde controladas pelos houthis anunciaram também dezenas de mortos e feridos entre a população civil desde o início da ofensiva, embora estes números não tenham sido verificados de forma independente pela CNN.
A evolução do conflito poderá alterar o equilíbrio de forças no Iémen e aumentar a pressão sobre os países vizinhos. Ao mesmo tempo, qualquer perturbação prolongada no Mar Vermelho poderá ter consequências para o comércio internacional.
Para o Egito, o desafio será apoiar a segurança da Arábia Saudita e proteger os seus próprios interesses sem contribuir para uma escalada regional ainda mais perigosa.