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Daron Malakian diz que a inteligência artificial nunca teria imaginado o System of a Down

Daron Malakian diz que a inteligência artificial nunca teria imaginado o System of a Down

Rolling Stone Brasil | 2026-10-21 22:43:03 | Arte & Cultura | 29
Em entrevista sobre os 25 anos do álbum Toxicity, guitarrista destaca a combinação única de origens culturais, experiências pessoais e criatividade humana que define a banda. O tema foi noticiado pela revista Rolling Stone Brasil e reacende o debate sobre os limites da inteligência artificial na música.

A inteligência artificial (IA) está a transformar a indústria musical, permitindo criar melodias, instrumentais e até canções completas em poucos minutos. No entanto, para Daron Malakian, guitarrista e compositor do System of a Down, existem combinações artísticas que dificilmente seriam previstas por uma máquina.

O assunto foi destacado pela Rolling Stone Brasil, que abordou as declarações do músico sobre a singularidade da banda e a capacidade da inteligência artificial de reproduzir processos criativos humanos.

Numa entrevista à revista Spin, por ocasião dos 25 anos do álbum Toxicity, lançado em 2001, Malakian explicou que a identidade do grupo resulta de uma mistura muito particular de experiências, influências culturais e personalidades.

Segundo o guitarrista, a música do System of a Down nasceu de um contexto específico: a experiência de um jovem imigrante criado em Hollywood, apaixonado pelo rock e pelo heavy metal. Essa combinação ajudou a formar o som característico do grupo, marcado por mudanças inesperadas de ritmo, vocais contrastantes, letras provocadoras e uma atitude musical difícil de enquadrar num único género.

Malakian recordou ainda que já conversou com o vocalista Serj Tankian sobre a inteligência artificial e a sua capacidade de criar música. Para o músico, uma máquina dificilmente teria previsto a existência de uma banda com uma identidade tão particular antes de ela surgir.

Como funciona a criação de música com inteligência artificial?

A produção musical com IA funciona, geralmente, através de modelos treinados com grandes quantidades de dados musicais. Durante o treino, estes sistemas aprendem padrões relacionados com melodias, ritmos, instrumentos, estruturas de canções, estilos e, em alguns casos, vozes.

Na prática, o processo pode começar com uma simples descrição escrita pelo utilizador, conhecida como prompt. Por exemplo, alguém pode pedir uma música de rock alternativo com guitarras pesadas, mudanças bruscas de ritmo, uma voz intensa e uma atmosfera sombria.

A ferramenta interpreta essas instruções e gera uma composição que procura corresponder ao pedido. Dependendo da plataforma, pode produzir apenas uma melodia, criar uma base instrumental, acrescentar voz e letra ou gerar uma canção completa. Também existem ferramentas que permitem transformar uma gravação existente, separar os instrumentos de uma faixa ou ajudar na mistura e masterização.

O resultado é gerado a partir de padrões aprendidos durante o treino. Isso não significa necessariamente que a IA compreenda as emoções ou as experiências humanas por trás de uma composição. O sistema gera música com base no que aprendeu e nas instruções recebidas, enquanto o utilizador pode selecionar, editar e combinar os resultados.

A tecnologia consegue criar algo verdadeiramente original?

Esta é uma das principais questões do debate. Uma ferramenta de IA pode produzir uma música surpreendente, combinar influências diferentes e até apresentar ideias que o utilizador não tinha imaginado. Ainda assim, gerar algo novo não é exatamente o mesmo que construir uma identidade artística ao longo de uma vida.

No caso do System of a Down, a singularidade não está apenas nos instrumentos ou nos arranjos. Está também nas experiências dos músicos, nas suas origens, nas suas referências culturais e na forma como as diferentes personalidades se encontram durante o processo criativo.

Uma IA pode ser instruída a criar música com características semelhantes às da banda. Contudo, reproduzir determinados elementos sonoros não significa recriar a história, as decisões e a relação humana que deram origem ao grupo.

Por outro lado, a inteligência artificial não precisa de substituir os músicos para ter um papel importante na música. Pode funcionar como uma ferramenta de experimentação, ajudar a desenvolver ideias, sugerir arranjos e facilitar tarefas técnicas. A diferença está na forma como os artistas a utilizam e no grau de controlo que mantêm sobre o resultado final.

John Dolmayan também critica a perda da dimensão humana

O debate sobre a IA no universo musical também chegou a John Dolmayan, baterista do System of a Down. Numa publicação partilhada nas redes sociais, o músico defendeu a importância do trabalho, da dedicação e do aperfeiçoamento das capacidades artísticas.

Dolmayan comparou a discussão sobre a inteligência artificial à chegada das baterias eletrónicas, que não eliminaram a necessidade de bateristas humanos. Na sua perspetiva, a tecnologia pode encontrar o seu espaço, mas não deve fazer com que a sociedade perca de vista o valor do trabalho artístico e da experiência humana.

A preocupação vai além da música. Artistas de diferentes áreas têm manifestado receio de que conteúdos gerados por IA desvalorizem o trabalho criativo, sobretudo quando as ferramentas produzem resultados rapidamente e levantam dúvidas sobre direitos de autor, utilização de obras no treino dos modelos e remuneração dos criadores.

A criatividade humana continua no centro da discussão

As declarações de Daron Malakian não significam que a inteligência artificial seja incapaz de produzir música interessante ou inovadora. Mostram, antes, que a criação artística envolve mais do que combinar sons de forma tecnicamente convincente.

A IA pode ajudar a compor, experimentar e acelerar etapas da produção musical. Mas a história do artista, as suas influências, as escolhas feitas ao longo do processo e a relação com outros músicos continuam a ter um papel importante na construção de uma identidade própria.

No caso do System of a Down, é precisamente essa combinação de elementos que Daron Malakian considera impossível de prever antecipadamente. E, num momento em que a tecnologia permite criar uma canção com apenas algumas instruções, permanece uma questão fundamental: até que ponto uma música pode ser definida apenas pelo som, sem considerar a história humana que a tornou possível?

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